Ao discutir com uma amiga, e colega de intercâmbio; sobre blogs, wikis e suas aplicações na educação e na pesquisa; fui apresentada a Hannah Arendt. Em especial, ao conceito de imprevisibilidade, definido em seu livro A Condição Humana (1958). Além do prazer de poder refletir sobre a imprevisibilidade de uma postagem, por exemplo, na busca que realizei na internet me deparei com mais uma obra de René Magritte (The human condition, 1934). Esta reflete a exata noção que tenho da limitação de nosso olhar sobre a realidade. Eu costumava fazer uma analogia em meus escritos, onde relacionava os resultados a "uma foto", onde através da tecnologia se captura uma parte da "imagem", num dado momento, numa angulação específica e está sujeita a qualidade de "resolução" com que se salva esta imagem. Ainda acho que a analogia é válida, pois sempre usamos "lentes" que nos dão uma visão parcial da realidade. Contudo, a obra de Magritte me fez vislumbrar outras possibilidades e fazer novas conexões. A pintura me remete a "ilusão", "percepção", "psicologia da forma" (Gestalt) e seus princípios: proximidade, similaridade, boa continuidade ou direção, pregnância, fechamento e associação ou experiência passada. Todas estas propriedades influênciam nossa percepção ao registrarmos a clássica cena da escadaria de Odessa do Encouraçado Potemkin (filme de Sergei Eisenstein, 1925), onde vários eventos ocorrem simultaneamente e a objetividade do registro pode ser colocada a prova. No filme é possível ver várias vezes a mesma cena, mas como faríamos ao observar um evento qualquer em tempo real? O quanto a nossa percepção e as "lentes teóricas" nos permitem ver???
